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Archive for the ‘Varginha’ Category

Quando eu era pequena, almoços e jantares em família lá em Varginha eram sempre dividos, porque família grande não cabe toda na mesma mesa. Daí eu sentava na mesa das crianças com a primaiada, e era a parte mais legal do almoço, jantar, lanche, Natal, aniversário, whatever que estivesse acontecendo.

Sem adulto para mandar a gente comer “tudinho”, nem prestar atenção nas besteiras que a gente falava ou fazia. Às vezes uma tia aparecia, mandava a gente “ficar quietinho e comer direito”, mas era só ela virar as costas e nossa liberdade voltava.

Era tão legal que mesmo já adolescentes, nos achando muito adultos, continuávamos a sentar na mesa das crianças e a conversar sobre assuntos que os mais velhos não podiam ouvir. Aqueles momentos eram só nossos e mesmo que durassem pouco, conseguiam a cada reunião de família nos unir mais.

Cresci longe, aqui no Rio. Veio o vestibular, a faculdade, depois outra faculdade. Estágios, empregos, amigos, namorados e várias outras questões que passaram a me manter a cada ano um poquinho mais longe. Até ano passado, quando lá de volta ao meu lugar favorito da infância tivemos um almoço quase em família e tivemos que sentar em uma mesa separada.

Todos já crescido, com suas vidas, alguns até com filhos. Mas naquele dia, naquele momento, aquela voltava a ser a mesa das crianças. Rimos do nada, implicamos uns com os outros e até brigamos pela sobremesa.

Nem lembro mais a razão do almoço, mas lembro que aquele foi o melhor que tive em anos e mais ainda, que ele serviu para eu nunca esquecer que a vida é muito mais divertida quando sentamos na mesa das crianças.

O que mais gosto em Varginha é de estar com o Kleber e o Juliano, meus primos de coração. É no mínino divertido, e nesse feriado não foi nem um pouco diferente. Normalmente conversamos sobre tudo sentados à mesa comendo muito (pra ficar gorda que nem uma broa) e nosso assunto favorito é filmes. O que tá passando aqui no Rio, o que os cinemas (mono) de lá resolveram passar e os filmes que eles pegam no DVD.
Então é quando o Kleber, um legítimo cowboy varginhense, com direito a sotaque carregado e a ouvir modão (te adoro, tá?!) me conta uma de suas últimas aventuras indo a locadora.
Ele disse que o rapazinho da locadora estava com um DVD novo nas mãos, que era lançamento, recém ganhador do Oscar e que ele ia deixar o Kleber alugar mesmo antes de catalogá-lo. Ou seja, ele nem ia colocar na ficha dele.
Sabe que filme era? “O Segredo de Brokeback Mountain”.
Só sei que meu querido primo não passou da cena da tenda… hehehe
Eu tava relendo esse post sobre o roomate do Rafa virar um Zumbi e lembrei que na terça, lá em Varginha, minha prima e seu namorado resolveram me dar uma carona pra casa (dela). No caminho ele me pergunta se eu me importo que eles parem para ver uma casa que ela quer que o namorado alugue. Concordei, claro.
Então eis que o carro entra em uma rua estreitinha e a casa era a última do beco. (Você tinha alguma dúvida?). Eles desligaram o carro e saíram e eu (esperta) avisei que ia ficar bem ali.
Porra! Não, né Raphaela?
Na hora me passaram pela cabeça todos os zilhões de filmes de terror que já vi e lembrei que os que sempre morrem primeiro são os que falam “Volto já” e “Não se preocupem, vou ficar bem aqui”. Timidamente saí do carro e caminhei rapidinho pra perto da Priscila e expliquei que eu não queria ser atacada nem pelo Jason, Freddie Krueger, Mike Myers Michael Myers, Samara, zumbis, vampiros, lobisomens, mula sem cabeça, a cuca, monstro do lago negro ou qualquer outro monstro genérico. Ela concordou (afinal não se discute com louco) e minutos depois já estavámos de volta ao carro salvos e felizes.
Durante o caminho pensei que devo dar um tempo aos filmes de terror, sabe?

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